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Atleta paraolímpica dança com robô
Atleta paraolímpica dança com robô
08/09/2016
Foi mais uma bela festa no Maracanã. Com intensa participação do público, os Jogos Paralímpicos Rio 2016 foram abertos. Teve dança, muita música brasileira e momentos emocionantes. O espetáculo, dirigido por Vik Muniz, Marcelo Rubens Paixa e Fred Gelli, alternou momentos de muita intensidade com calmaria.

Assim como nas cerimônias dos Jogos Olímpicos, a organização usou muitos recursos de projeção de luz para simular cenários e interagir com os figurantes.

O Hino Nacional foi executado pelo renomado pianista e maestro brasileiro João Carlos Martins. Mundialmente reconhecido por sua habilidade, o maestro e pianista tem as mãos parcialmente atrofiadas por uma série de problemas físicos. Enquanto tocava o hino ao piano, figurantes com guarda-sóis fizeram desabrochar a bandeira brasileira no campo do Maracanã. Mais um momento de muitos aplausos no estádio praticamente lotado.

A própria organização da cerimônia admite que a entrada das delegações é um dos momentos mais difíceis, pelo desafio de manter o público interessado. Para minimizar o desafio, os idealizadores pensaram em uma interação dos atletas com a cerimônia. Entrando depois de apenas meia hora de espetáculo, cada uma das delegações trouxe uma peça de quebra-cabeça.

Peças de um gigantesco quebra-cabeça, que traziam os rostos dos atletas estampados, formaram um coração no meio do campo. Com ajuda de projeções de luz, o coração parecia pulsar diante dos olhos de todos. Um festival de fogos iluminou os céus do Rio de Janeiro, em mais um momento de emoção.

Ao som de Sergio Mendes tocando Edu Lobo, a atleta e bailarina norte-americana do snowboard, Amy Purdy, encantou o público com uma coreografia que incluiu samba e ritmos mais lentos. Além de ser atleta e dançarina, Purdy, de 36 anos, é atriz, modelo, escritora, designer de moda e palestrante motivacional. Ela perdeu as pernas aos 19 anos, após contrair meningococo. Amy dançou com graça e leveza usando próteses nas duas pernas. Seu parceiro era um robô fabricado por uma empresa alemã. Em 2014 ela foi bronze na Paralimpíada de Inverno em Sochi. A máquina conseguiu acompanhar a atleta nos passos mais lentos, mas quando o gingado tomou conta da coreografia, o robô não a acompanhou e a atleta saiu muito aplaudida.

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi o revezamento da tocha e acendimento da pira. A ex-atleta brasileira Márcia Malsar levou a tocha por parte do campo do Maracanã. Ela fez parte da delegação brasileira que ajudou a impulsionar o esporte paraolímpico com a boa campanha nos Jogos de Nova York/Stoke Mandeville-1984.

Márcia, que tem paralisia cerebral, caminhava com muita dificuldade, mesmo com auxílio de uma bengala. Chovia bastante naquele momento. No meio do trajeto, Márcia caiu no chão. No mesmo instante em que era ajudada a se levantar, o público ficou de pé e começou a aplaudir a ex-atleta.

A para-atleta pegou a tocha do chão e se levantou devagar, muito aplaudida. Cada passo restante era acompanhado pelas palmas do público até que ela entregasse a tocha para a ex-velocista Ádria Santos.

O escolhido para fechar o revezamento foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva. Com a tocha em mãos, o nadador se aproximou da escadaria que dava acesso à pira e olhou para o público, como se perguntasse como subiria com sua cadeira de rodas. Então, a escadaria se abriu e transformou-se em uma rampa e Clodoaldo pode chegar à pira, igual à utilizada nos Jogos Olímpicos.
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