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Energias solar e eólica ganham força no país
Energias solar e eólica ganham força no país
17/08/2016
A dependência brasileira de hidrelétricas para a produção de energia parece estar com os dias contados. Em 25 anos, a matriz do país mudará radicalmente com a ajuda de fontes alternativas, como a eólica e a solar. Essa é a conclusão do relatório New Energy Outlook 2016, produzido pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

A diversificação da matriz energética é ainda mais importante diante da previsão feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE): a demanda por eletricidade no Brasil vai triplicar até 2050. Teremos, até lá, um consumo similar ao de toda a União Europeia. As hidrelétricas produzem, hoje, 61% da energia do país, o que gera uma dependência perigosa diante das secas que têm atingido várias regiões nos últimos anos.

É por isso que fontes alternativas têm conquistado relevância nos últimos anos. -Estamos transitando de uma matriz que era fortemente hidráulica para uma matriz bem mais diversificada- afirma Ennio Peres da Silva, professor do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) especializado em fontes renováveis de energia.

Para garantir que todos tenham acesso à eletricidade, investimentos vêm sendo feitos nos últimos anos para aprimorar a geração e a transmissão de energia elétrica. A tecnologia tem impulsionado esse processo de diversificação. Entre as fontes de geração de energia alternativa estão as usinas termelétricas a gás, que representam 9% da matriz e têm sido uma opção de investimento para suprir a demanda de energia do país com ajuda de sistemas que operam com alta eficiência.

Usinas nos estados de Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro, por exemplo, são pioneiras na utilização de gás natural com ajuda da tecnologia de última geração. O processo é feito com um sistema chamado de ciclo combinado, que faz uso de equipamentos de alto desempenho para conseguir um maior rendimento no aproveitamento da energia contida no gás, hoje ultrapassando a barreira dos 60%. Assim, com uma geração térmica mais eficiente, diminui a emissão de gases geradores do efeito estufa, uma preocupação mundial.

Veja o exemplo da usina Fortuna, que fica às margens do Rio Reno, na Alemanha. Ela começou a funcionar em janeiro deste ano com a tecnologia de ciclo combinado e em pouco tempo bateu o recorde mundial de produção de energia elétrica. Além disso, atingiu 61,5% de eficiência na geração dessa energia. Em termos de emissões médias, isso significa uma economia de cerca de 2,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, o que equivale à poluição gerada por 1,25 milhão de automóveis de passageiros, cada um rodando 15 000 quilômetros por ano.

A previsão do relatório New Energy Outlook 2016 é que os preços para a produção de energia com carvão, gás e petróleo continuarão baixos em todo o mundo. Mas haverá um declínio ainda maior nos custos das modalidades eólica e solar, o que deve impulsionar essas fontes limpas na produção de eletricidade. Deverão ser investidos, em todo o mundo, 7,8 trilhões de dólares em energias renováveis nos próximos 25 anos. -As instalações de plantas eólicas no Brasil vão pular de 8 gigawatts, em 2015, para 47 gigawatts em 2040- diz Lilian Alves, diretora para América Latina da BNEF.

Apesar do alto crescimento da geração eólica, a fonte alternativa com maior potencial de expansão no Brasil é a energia solar, que deve ganhar força não apenas em usinas, mas também na casa dos consumidores. É possível produzir sua própria energia com a instalação de painéis fotovoltaicos no telhado de casa, por exemplo. Esse conceito leva o nome de geração distribuída. -O Brasil terá 28 gigawatts de plantas solares de geração centralizada instaladas. Na geração distribuída, esperamos ter 97 gigawatts de pequenos sistemas solares no país inteiro até 2040- afirma Lilian. Isso representa por volta de 9,5 milhões de casas.

A geração distribuída já é uma tendência em países como Austrália, Alemanha e Estados Unidos. No Brasil, o número de instalações já ultrapassa 3.500, sendo que o ano passado fechou com 1.785. A popularização dos painéis solares condiz com uma pesquisa da consultoria Accenture: oito em cada dez brasileiros estão interessados em ser autossuficientes na geração de eletricidade.

Gerar sua própria energia em casa com a ajuda do Sol, guardar o excedente em baterias para usar no futuro ou vender para as concessionárias e ganhar créditos nas contas de luz não só é uma tendência mundial como já é possível no Brasil desde 2012. -Esperamos que, em cinco anos, uma revolução de geração distribuída acontecerá no país, que deve, então, se tornar um dos maiores mercados do mundo nesse setor- diz Lilian Alves.
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