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Menina de 9 anos vence o machismo de um clube de robótica
Menina de 9 anos vence o machismo de um clube de robótica
04/07/2015
Uma menina de apenas nove anos está vencendo o machismo com a ajuda da internet. Cash Cayen e sua mãe decidiram criar uma petição no site Change.org há apenas três dias. O motivo? A biblioteca pública de Timmins, no Canadá, não admitiu a inscrição da garota em um clube de robótica. O programa aceitava somente meninos.

O clube de robótica funciona como uma curso prático onde cada criança constrói seu robô. Cash ouviu, da administradora da biblioteca, uma explicação sem sentido sobre o fato de o curso não permitir a entrada de garotas.

A mulher disse que a razão era que as habilidades acadêmicas e de alfabetização dos meninos não melhoram durante as férias de verão. Aparentemente, ela achou que seria melhor manter os meninos ocupados nas férias, mas não as meninas.

-Ela disse que eu poderia ser adicionada a uma lista de espera. Se um número suficiente de meninas mostrasse interesse, eles poderiam repensar o assunto e oferecer o programa para as meninas no futuro- escreveu a garota no site da petição.

A explicação da administradora não agradou à família de Cash e, muito menos, à internet. A petição da menina teve mais de mil assinaturas em poucas horas. Além disso, vários internautas apoiaram Cash com comentários no site da petição.

-Como podemos esperar ter mais meninas envolvidas em carreiras predominantemente masculinas, como ciência e engenharia, se elas nunca recebem oportunidades para promover seu potencial na área- disse a canadense Michelle Couture, em um dos comentários.

Após muitas mensagens e mais de 28 mil assinaturas na petição, a biblioteca voltou atrás. O chefe do conselho da instituição, Michael Doody, pediu desculpas pelo mal-entendido e disse que Cash e outras garotas interessadas em robótica poderão participar do programa.

A mãe da menina, Caroline Martel, disse ao site Yahoo Canadá que ela está feliz pela vitória. Porém, ela ainda se preocupa com a declaração de Doody. -Nós estamos felizes por eles estarem abrindo o curso para todos. Mas isso não foi um mal-entendido. Foi discriminação de gênero- finalizou Martel.

Essa não é a primeira vez que mulheres sofrem preconceito pela comunidade científica. Em junho deste ano, o vencedor do Nobel de medicina, Tim Hunt, disse, em uma conferência, que as mulheres atrapalham o trabalho dos homens nos laboratórios.

-Três coisas acontecem quando elas estão no laboratório. Você se apaixona por elas, elas se apaixonam por você e, quando você as critica, elas choram- disse Hunt.

O comentário do professor não agradou centenas de cientistas mulheres em todo o mundo. Elas começaram a usar a hashtag #DistractinglySexy (distraidamente sexy em inglês) nas redes sociais e compartilhar fotos no trabalho. Em questão de horas, mais de 10 mil tuites sobre o assunto foram postados.

Alguns dias após o comentário infeliz, Hunt demitiu-se de seu cargo na University College London, na Inglaterra.
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